quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Formigas pobres

Saía cedo de casa
tão cedo que o céu ainda era preto
bem preto
saía com fome, com sono, com frio
sem vontade

A única força era a mulher
e o pobre recém nascido
tão pobre quanto pobre
e o pai, mais pobre ainda
pobre de tudo, pobre de espírito
saía obrigado

Chegava na hora, humilde
primeiro que todos, até do patrão
sabe como é, essa regalia sem perdão
lutava com unhas e dentes
poucas, entrelinhas
ja não tinha mais dentes
e as unhas eram sujas e pequenas
mas era valente

Pensava no futuro
sertão de uma casa só
filhos gordos
a mulher sem cortes
e só ele de mãos calejadas

Mas sozinho não podia
precisava de ajuda
mas quem? pobre não se ajuda
igreja é incentivo
e pessoa nenhuma dá força
maldito governo
provavelmente pobre também
pobre de coração

Recorre a tudo, luta por pouco
em meio aos milhares
desesperados em comum
Me lembram formigas
Socialistas fervorosas
trabalham por nada
Ganham muito

E como no mundo das formigas
Lá se vai mais um operário
Pobre e ferrado
que um dia acaba sendo pisado
por alguém maior que não liga pra nada
rico de tudo, pobre de respeito.

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