terça-feira, 28 de setembro de 2010

Poeta aidético

Eu aproveitei a vida
juro
quis viver como ninguém
quis morrer como alguém

Alguém já viveu algo assim?
ninguém quer acabar assim
mas eu me orgulho
minha história é cheia

Cheia de lutas e glórias
tantas glórias e tantas Glórias
Marias, Brunas, Carmens e Vanessas
Foi um prazer sem igual esse que vivi
E foi de prazer que me arrisquei
que me matei

Se não satisfaz, ja virou terror
mas o que vivi me serve
hoje sou poeta e deixo
todo deletério que tive
repleto de amor e de dor

hoje é assim, por mais doloroso que seja
um tesão cheio de remorso
não me tira o sono
não foi por falta dele
que passei o melhor da vida
se morri ontem
foi porque aproveitei muito hoje pela manhã
bendito tesão doloroso.

breve reflexão

Eu moro numa cabeça de porco
numa miséria tremenda
e em meu único filho
a certeza de uma batalha

motivada.

Eu luto por ele
e não por mim
eu sou brasileiro
sofro por tudo
e continuo de pé.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Impátria que pariu

Dos filhos deste solo
és uma baita mãe gentil
recebe quem quer chegar
dá tudo pra quem quer levar
se abre pra quem quer se aventurar

ser brasileiro é lindo
é cômodo
só não é orgulho pra ninguém
o patriotismo não é bonito por aqui
bendito país que nos reuniu
sem ser amado

é gigante por natureza
és belo, fraco, nem um pouco impávido
és impatriótico
terra de gente desacreditada
que faz dela um algoz de tiranias

Brasil que nunca mostra a cara
só se bate
porta da frente fechada
porta dos fundos sempre aberta
pra todo tipo de repugnância
e a ridicularização dos brasileiros
orgulhosos de si, da própria moradia
sucumbem por tantos outros milhões
que nunca quiseram um bem comum

O bem de olhar para a bandeira
e dizer com máximo de respeito e honra
que ser brasileiro nunca foi brincadeira

mas os fatos acontecem
pessoas vem e vão
e o brasil continua nessa mão
gélida que só
que não para de apertar cada vez mais
seus dedos magros em cima de tudo aquilo
que sempre foi nosso
e ninguém teve coragem de gritar
PARA COM ESSA PORRA.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Samba de Roda

Para uma Maria, quase Carol
Para uma Carol, quase Maria

Chega sambando
swing que contagia, irradia
Nossa, que gingado mucho loco
e da raiz de uma cartola
musicou-se Maria
Carol de nome
samba de caráter, é caráter

anda com o ritmo do batuque
e o jeito que só ela sabe dar
ao compasso de uma amizade
diferente, confesso
mas ser eclético facilita
musicar pra Maria
é entorpecer-se de ideias
musicar pra Carol
é deixar tudo rolar, com pandeiro e violão

Meu Deus, larga esse beque!
chega pra cá
cadê teu swing?
mostra teu samba
porque de Buarque à Pagodinho
cada um tem uma Maria
pra cada qual se samba

então sambaí que eu quero ver...

Beijo pra Iaiá

Estou nervosa
acho que agora não tem jeito
os dedos de pontas geladas
jazem mergulhados no molhado das palmas
boca seca, seca
mas uma vontade tão engraçada
quanto os batimentos do coração

doido

bate com ritmo
música de pulsos nervosos

cada passo um desafio
morder os lábios
pensar no sabor
tendo a certeza que a amiga
inseparável malandra que é
é teu guia até o 3° ato

já chego estalando
sorrisos avermelhados
as palavras se misturam enquanto a amiga se vai
o nervoso fica, só nós três

os olhos se fecham; que mágica!
bem molhado, gostoso posso assim chamar

Pronto, beijei.

Agreste

É uma vida tenebrosa
paisagem de cores quentes
contraste com o verde
teimoso que só
que cresce pra cima
redundante debaixo de um céu cheio de Sol
imprevisível de águas

Casebres, casas, casarões
cercadas de areia
e a mesma certeza
da sauna particular, familiar
queimando uma rotina
do roceiro solitário

roceiro vivaz
cansado de mãos calejadas
que verde como árvore
busca um aconchego suado
nesse agreste vazio

de terra batida
maldita paisagem fervendo
que encalora a poesia
de um agreste coloridíssimo!