quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Anjo caído

Para Aline Pilad, uma anjinha muito louca.

A música da minha harpa
não é tocada em cordas
que façam desprazeres virarem
a melodia que jaz sofrida dentro de ti

minhas asas encolheram
são tortas por natureza
faço parte de uma legião escondida
que te protege, que te faz parte

mas hoje sou anjo caído
me ergo a cada tempestade
a cada renúncia do seu coração
sem que você perceba tal proteção

e se pensa que virar santo
é o ato final da jornada
mostro-te ser mais anjo que antes
de asas fortes e harpa afinada

Quando pensar que está sozinha
lembre que o anjo está sempre aqui
dentro de si própria
proteja-se do teu mal e da tua tristeza

Veja que ser anjo nada mais é
que fazer do bem algo comum
meu anjo é você
mas quem te protege sou eu

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Falcão e andorinha

Pobre falcão
voou contra o vento e morreu
não fez verão

Mas espera aí, meu camarada
quem faz verão é andorinha
verdade
mas tudo está tão mudado
que o pobre falcão fazia verão

E lá longe, a quieta andorinha
assassina gritante de cães
predadora natural e inocente
faz invernos
longe, culposos, dolosos

é bem verdade que as aves migram
batem asas, saem de cena
até onde vão, não faço ideia
tudo muda mesmo
daqui a pouco voltam, afinal

Por ventura, não transformaremos falcões e andorinhas
em conformidades pra atitudes mesquinhas?
um dia serão andorinhas e falcões
trazendo suas próprias estações.

Breve reflexão sobre pontos de vista

Uma palavra
dez, vinte
trinta mil pontos de vista
e ainda querem que eu siga o sistema

Pensar igual à todo mundo
à todo mudo
à todo imundo
emburrecer em conjunto

Culpar inocência e humildade
pela própria indolência e preguiça
de pensar em pensar em trinta mil pontos
trinta mil...
e escolher o que é melhor... pra você.

Novos ares

Eu quero é aproveitar a vida
conhecer novos lugares
novas pessoas

Chega desse sedentarismo saudoso
dessa rotina
da eterna falta do que fazer

sempre as mesmas caras
expressões tão desertas
cheias de nada
causando miragens
cotidianas fantasias da minha história
histórias que eu quero contar
experiências pra comparar

Viver é necessário
ir pra longe com alguém
com ninguém
como ninguém
mas sempre consigo mesmo
presente em si

Uma viagem de dois anos...
dois dias...
o suficiente pra ser diferente
de tudo que eu já fiz
e aí, o que me diz?

Contradição Maternal

Você nunca foi lá
é melhor não ir pra não se arriscar
Você já foi lá milhares de vezes
pra quê ir de novo?

Está tarde
vá dormir
Não está cedo demais
pra você dormir?

Me ligue assim que chegar
estou preocupada
Não precisa ligar toda hora
celular é caro, estou dura

Está saindo demais
fique em casa hoje e estude
Não sai nunca de casa, só estuda
vai pra rua e procura uma namorada

Pensamentos de mãe... vai entender.

domingo, 3 de outubro de 2010

Liberte-me, coração indócil

Ó coração indócil!
que me faz sempre de vítima
me mata a cada dia
por querer sempre reviver

Me faz forte
louco de pedra
sobrevivente de guerra
da minha própria mente chacoalhada
que quis sempre ser eu mesmo

Eu me apaguei
esqueci quem eu era
por querer derrotar os inimigos
dos amigos
hoje sou forte contra todos
e fraco contra mim mesmo

Me remendo
com cola e fita
cheio de esperança
um dia hei de crescer
sorrir como eu mesmo
chorar com razão incontida

Deixar pra trás o que me dói
manter a felicidade em legado
por todos aqueles corações de mim mesmo
que hoje se preocupam
com a transparência que teima
que quer deixar de existir

Eu quero sorrir
quero gritar
deixar de me torturar
Ser feliz assim com o meu coração
e não com a minha solene razão.

Fruta mordida

Mordi uma fruta
que só tinha caroço
era o pecado
tão puro, tão cheio de mim
que o gosto não era ruim

Eu cuspi
larguei tudo
o sabor nocivo
doce deletério daquele bendito caroço

Mas passou, foi embora
é o pecado que se viu
já sem perdas, sentimentos
no encalço como sombra
pois por mais perdão que se peça
de mesmo pecado viverá amanhã

e depois... e depois... e depois...

Aquela fruta mordida
agora é o embalo da minha fé

Verdade seja dita

Sopram os ventos
verdades à tona
de uma mente que trabalha
insana, querendo muito saber
redescobrir o que se quer

Uma mentira mental
psicose tônica alvoroçada
expressa teu desapego
nega teu aconchego

de tanto pensar
tanto querer...
hoje não se tem nada, nenhum pesar
nem se sabe se quer ter

malditos amores que vêm e vão
não se vê mais
aquela dura realidade
que se fantasia de solidão
sem a mínima dignidade

Som do teu nome

Eu ouço teu nome
são 1.000 vertentes
mil vertingens
dá frio na espinha
calorosa que deu dó
mas que já não é tão virtuosa

Eu te ouvia falar
e sentia gosto
canções e paixões de uma crença
em ritmo da música pesada
muito sexo, pouca droga
e o rock n' roll foi acabando...

Aquela melodia que eu ouvia
nem sinto mais falta
um dia eu ouço teu nome
e percebo que se tornou comum