quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Os livros

Para Amanda Cruz, que mora muito longe rs.

Já li um pouco de tudo
de tudo tive muito
e dos livros tirei minha personalidade
serena como páginas alinhadas
cheias de vida
imaginação que pula pra fora
a cada página virada

e aquela menina
me pareceu um romance
cheia de suspense, surpresas
e tomara eu que de tantos romances que li
o nosso final seja feliz

porque dos livros tirei muita coisa
o vocabulário nem faz diferença
quando a imaginação simula uma segunda vida
que teimo em chamar de meu mundo

meu mundo é seu?
pois já simulei muitas vidas
e agora quero que
fiquemos assim, como um livro fechado
cheio de mistérios
mas sempre cheio de história pra contar

pra que um dia, quando seja reaberto
possamos ler e lembrar de tudo que passou
e ver que tudo continua a mesma coisa
desde o começo improvável
até o amor impossível

e aquele final consagrado que todos conhecem...

No esquecimento

Quando olhei para o chão
e vi aquela quantidade imensa de cacos
garfos e facas, pensei
que briga feia tivemos!

hoje já sinto como se não tivesse sido nada demais
a vida segue tranquila
aquele tufão de sentimentos
está pra lá de longe
e eu nem sei mais em que canto se enfiou

só sei que não penso neles
não penso em nada
só quero meu lugar ao sol
meu cantinho longe de ti

estranha essa chuva, não?
só pode ser milagre...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Felicidade!

de pernas pro alto
e braços descruzados
este sou eu
que acordou feliz
mostrando os dentes
pra uma avenida de gente

de repente eu notei
que a tristeza nem é tão ruim
me serviu pra perceber
que ela não vale nada
pra alguma coisa ela serviu, afinal

agora sou outro
tristezas vão ficando pra trás
e sobra eu e minha alegria
radiante que só
emanando do corpo
junto com meus sorrisos
branquinhos, branquinhos

foi esse meu dia
mandando flores à guerrilheiros
gritando bom dia pra padeiros
sem vergonha de pensar
que tudo vai ficando no passado
e eu, relapso, finjo que esqueço
está lá, mas quem precisa lembrar?
lembro do que é bom, do que dá saudade
tristeza? longe de mim

quero um amor pra vida toda
um cantinho pra minha viola tocar
pra minha música harmonizar
com a poesia da minha conciência
limpa como o céu
inquieta como o mar.

Vida de papel

Um dia eu quis ser alguém
não alguém comum
mas um alguém de múltiplas facetas
capaz de lidar com todas as situações
todas as pessoas
todos os sentimentos

queria me mascarar
e fingir gostar de tudo
pra ser aceito
pela plateia popular

nada adiantou
não era quem queria ser
era tudo que outros queriam
e o que eu queria?
eu queria ser alguém
não alguém comum
mas um alguém que gostasse mais de si próprio

um dia, porém
dei conta de tudo
aprendi a ser eu
tirei a máscara pra falar da vida
não busquei prazer em anonimato

e se hoje sou feliz
foi porque ontem fui eu
e somente eu
pra conquistar toda fama e toda glória
de ter amigos que sabem o que eu realmente quero

seja você
não importa o que queiras ganhar
levar títulos pelo que nunca foi
não o torna único
só popular

não tente conquistar amores e amizades
fazendo papéis que não lhe cabem
amizades e amores verdadeiros
sempre se fizeram longe da fantasia

mascarados aqueles que só tem amigos surdos-mudos

quando a popularidade acaba
percebe que tudo foi gozo do presente
e que nada mais lhe será importante
por nunca ter sido o que quis ser
vale a pena ouvir os outros?



não.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Jantar

Bota um prato a menos na mesa
que hoje eu vou jantar fora
se me quisesse tanto
eu veria pelo teu pranto

tua saudade transbordaria pelos olhos
não sobraria maldade para todos os imbróglios
que persistiram
me fizeram ver que estar presente
não me faria onipotente

não me espere nem pra sobremesa
vou passar da hora
talvez nem chegue a voltar
e que diferença faz?
pouquíssimos conseguiram
perceber e comentar
que o combate de talheres entre nós
ocorreu a meses atrás

fui eu quem juntei os cacos
dos copos da nossa última conversa
teus olhos, naquela vez, tão brilhantes
agora são opacos
cinzas e entediantes

não me dá prazer nenhum
jantar com você nesta madrugada
por favor, não me faça ficar
não vou juntar cacos de pratos
toda vez que ficares com papos baratos
sobre irrelevâncias de qualquer um
muito menos querer café numa cama remendada
pra aparentar que nunca quis ser perversa
...

sábado, 27 de novembro de 2010

Luto por todos

E eu que nunca fui tão vidrado
que quis sempre conselhos dar
promover ideias
variar entre poeta e porta voz

me mantenho, hoje, concentrado
somente contra meu algoz
que apanhou da própria ideologia
como se fossem me matar

ideologia de querer plateia
de ajudar o mundo
usar psicologia
pra salvar um bando de vagabundo

hoje continuo eu
ajudando a todos
aconselhando inimigos
tratando como bobos
aqueles que um dia disseram que eram meus amigos

já vi que não
então
além de querer bem tudo que é teu
também luto agora por tudo que é meu

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Como é complicado amar diferente

é complicado
amar demais alguém
e não saber exatamente como demonstrar
já me disse Shakespeare
que amar diferente
também é amar

mas como provar?
como mostrar
que aquilo que sinto
é um amor tão forte quanto o dela?
que me dá carinho
me deu tudo que eu sempre quis
e precisei
que me faz tentar todos os dias
ser o melhor que eu posso ser

meu amor é diferente
de tudo que alguém ja possa ter visto
mas ele está ali, de um jeito ou de outro
e não diminui nem por um segundo

se um dia mudares para o céu
continuará sempre no meu coração
te amo talvez sem motivo aparente
mas com todos eles presentes
todos os motivos existem
mas nenhum deles se evidencia
e por mais complicado que seja pra mim
sempre vou tentar mostrar
o quanto eu amo você, mamãe.

Viver sem amar?

Que ser humano é capaz, pergunto
viver sem amar?
um dia já me disseram
que viver era algo fácil
quando não se tem ninguém

viver sozinho é fácil, claro
até conhecer o amor
até saber que sua vida sem ninguém
é metade de uma
sem aquele que te mata de apaixonites

tantos já poetizaram a matemática do amor
2-1=0
e depois de viver tantos imbróglios
tantos amores repentinos
prazeres casuais
fez-se amor no teu coração
e não é mais possível viver sem

amar continua sendo engraçado pra mim
porque sempre que tento ficar sozinho
me apaixono até por nuvens
e não mais delas quero sair

será mesmo que é fácil
viver sem amar?
duvido muito
sempre amei alguma coisa
e minha vida não se faz sozinha
sem ter ninguém pra me acompanhar
ô coração doente, meu Deus.

Outros hábitos

Senti que era hora de mudar
é o prazer que vai embora
que me fez ter vontade
de buscar diferenças

rearrumei a casa
troquei os móveis de lugar
por mais mudado que o ambiente esteja
a sala continua sala
a cozinha, cozinha
e meu quarto o mesmo templo
de toda minha emoção
meu sentimento começa aqui
e termina longe, dentro da minha cabeça

agora eu quero ser mais que eu
sinto-me contente comigo mesmo
a perfeição da vida
me fez imperfeito
por meio de meus traços
meus passos azarados
mas mudando de hábitos
me mantenho vivendo

e o que eu quero mesmo é voltar
saber que o passado
por mais doído que foi
é minha história
e se um dia esquecer aquilo que fui
já não sirvo pra nada
esqueço o que sou
por não ter mais experiências

chegada a hora da mudança
me refaço
penso mais, falo menos
mas de poucas palavras serei
enquanto me faltarem argumentos
contra aqueles que teimam
teimam em que?
não sabem de nada
são todos clichês
clichês de uma vida inteira
que se passa igual a de todos ao redor

mudar pra melhor
pra ser diferente
se sou normal não tem graça
se sou comum sou apenas mais um
quero ser único
não quero sofrer
nem ficar triste
o que faço agora é pra sempre
parte da minha mente
muito mais sã do que era

a tranquilidade me deixa levar
a lugares que nunca visitei
dentro de mim, confesso, não conheço nada
mas me sentindo um buda de jardim
meu corpo me obedece

então não me venha mais com histórias
como se soubesse o que eu passei
mudei a rotina
prazeres são os mesmos
e não preciso de mais nada
pra que eu seja anormalmente feliz.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A sutil diferença entre um torcedor qualquer e um apaixonado

Meu time é um perdedor
seria um lunático se dissesse que
ainda torço com orgulho
tenho a absoluta certeza que
não é à tôa
Sinto no meu coração vibrante que
meu time é fraco
não vou gritar que
somos verdadeiros campeões
à cada dia que passa, eu vejo que
vou te abandonar
E jamais falarei
Eu te amo, Flamengo!

ps: leia de trás pra frente.

Solidão à dois

Ah! que faríamos nós dois?
sem perceber que já foi
eu o via caminhar
junto aos braços tão seus

Aquele que beijava teus lábios
antes de mim
tristeza de um arlequim
e eu quis me pendurar
saber chegar
passarelar com suas vaidades
sua verdade de menina moça
quis bravejar

levar-te-ei comigo
pro paraíso de conversas ferozes
e beijos bonitos
beijos roubados, incontidos
fazer de você, minha

Bailar nos teus encalços
perder-me em seus passos
e ver que nosso amor não morreu

Ah! se eu pudesse dizer
virar anjo pra quê?
eu quis fantasiar
os nossos segredos

E agora que sambo nessa rotina
de rodas apertadas
de gente que um dia era amiga
e hoje nem vilã é

Sumiu, vagou, largou a esperança
E o que será de nós?
que agora sambamos sós
Com vontade de parar sem querer

Dá a mão pra cá, a cintura lá
vamos deixar levar
a vida é quem faz o teatro
mas é a gente quem encena

Chaplin foi grande sem dizer nada
deixemos de ser pequenos com essa conversa fiada
fazer futuro sem tempestade
tenta crer nessa realidade

Mas se um dia reclamarem
de tudo que a gente viveu
mande pra'quele lugar
vão ver que nosso amor não morreu

Deu um descanso
mas não morreu...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eu e o Mar


Já paraste pra ouvir o que o Mar tem a dizer?
foram muitas conversas
já ri, chorei, gritei e cantei para o mar
e ele, imponente, só me orientava
batendo suas palmas molhadas contra a areia

tamanho era meu fascínio
que nunca lhe faltou respeito
ao cansar de falar
só ficava olhando sua graça

seus movimentos faziam danças
não parava de brincar
apagando tudo que eu escrevia na areia

tentava chutá-lo
mas ele recuava
ria, derrubava-me

mas me olhava com muito respeito também
eu nunca o prejudicara
nem tacara coisas em suas costas
o mar e eu gostávamos de ser um só

do azul ao roxo
o céu ia escurecendo
e eu me despedia do mar
que a tarde toda me fez companhia

'amanhã eu volto', pensava
queria ver sua beleza
saber dos seus segredos
que um dia foram tenebrosos

como pode, meu mar
ser tão temido assim
me respondia discreto
indo e voltando

eterno era o lutador
que passava o dia todo se mexendo
pedindo companhia
eu era um homem livre
uma eterna companhia fulgente

como num belo cristal
me pegava pensando
no quão grande podia ser
meu oceano, seu coração.

O valor que eu não dei

Se tudo mais passou
ficou pra trás em tom de despedida
por que minha mente
tão deprimida
teima em culpar-se

esses passados inglórios
que afligem minhas noites
vozes desorientadas
que só sabem me falar de maldades

abre-me teus caminhos
eu quero passar sem me preocupar
me despedir dessa lágrima
que escorre sozinha
involuntária

oh! maldito valor que faltou
cicatriz que não fecha
espinho que não sai
dizer-te-ei que amei
que sofro
mas que quero sua felicidade

me falta até hoje a companhia
a graça de estar perto
do orgulho e da humildade
caráter indócil de um coração
mas deixa-me, vença aí em cima

um dia eu quero voltar
saber o que aconteceu aqui
aprender o dom de rir
de uma coisa que já se foi
e me mata de saudade
a cada dia, sem penar

eu transformo minhas dores
em lindas flores
me imagino rodeado de anjos
a minha vida não quer ser sinal de perigo
pra'queles que querem partir

se queres me deixar, que vá
a paisagem desabrochou em nuvens brancas
e o que eu quero mesmo
é PAZ.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Anjo caído

Para Aline Pilad, uma anjinha muito louca.

A música da minha harpa
não é tocada em cordas
que façam desprazeres virarem
a melodia que jaz sofrida dentro de ti

minhas asas encolheram
são tortas por natureza
faço parte de uma legião escondida
que te protege, que te faz parte

mas hoje sou anjo caído
me ergo a cada tempestade
a cada renúncia do seu coração
sem que você perceba tal proteção

e se pensa que virar santo
é o ato final da jornada
mostro-te ser mais anjo que antes
de asas fortes e harpa afinada

Quando pensar que está sozinha
lembre que o anjo está sempre aqui
dentro de si própria
proteja-se do teu mal e da tua tristeza

Veja que ser anjo nada mais é
que fazer do bem algo comum
meu anjo é você
mas quem te protege sou eu

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Falcão e andorinha

Pobre falcão
voou contra o vento e morreu
não fez verão

Mas espera aí, meu camarada
quem faz verão é andorinha
verdade
mas tudo está tão mudado
que o pobre falcão fazia verão

E lá longe, a quieta andorinha
assassina gritante de cães
predadora natural e inocente
faz invernos
longe, culposos, dolosos

é bem verdade que as aves migram
batem asas, saem de cena
até onde vão, não faço ideia
tudo muda mesmo
daqui a pouco voltam, afinal

Por ventura, não transformaremos falcões e andorinhas
em conformidades pra atitudes mesquinhas?
um dia serão andorinhas e falcões
trazendo suas próprias estações.

Breve reflexão sobre pontos de vista

Uma palavra
dez, vinte
trinta mil pontos de vista
e ainda querem que eu siga o sistema

Pensar igual à todo mundo
à todo mudo
à todo imundo
emburrecer em conjunto

Culpar inocência e humildade
pela própria indolência e preguiça
de pensar em pensar em trinta mil pontos
trinta mil...
e escolher o que é melhor... pra você.

Novos ares

Eu quero é aproveitar a vida
conhecer novos lugares
novas pessoas

Chega desse sedentarismo saudoso
dessa rotina
da eterna falta do que fazer

sempre as mesmas caras
expressões tão desertas
cheias de nada
causando miragens
cotidianas fantasias da minha história
histórias que eu quero contar
experiências pra comparar

Viver é necessário
ir pra longe com alguém
com ninguém
como ninguém
mas sempre consigo mesmo
presente em si

Uma viagem de dois anos...
dois dias...
o suficiente pra ser diferente
de tudo que eu já fiz
e aí, o que me diz?

Contradição Maternal

Você nunca foi lá
é melhor não ir pra não se arriscar
Você já foi lá milhares de vezes
pra quê ir de novo?

Está tarde
vá dormir
Não está cedo demais
pra você dormir?

Me ligue assim que chegar
estou preocupada
Não precisa ligar toda hora
celular é caro, estou dura

Está saindo demais
fique em casa hoje e estude
Não sai nunca de casa, só estuda
vai pra rua e procura uma namorada

Pensamentos de mãe... vai entender.

domingo, 3 de outubro de 2010

Liberte-me, coração indócil

Ó coração indócil!
que me faz sempre de vítima
me mata a cada dia
por querer sempre reviver

Me faz forte
louco de pedra
sobrevivente de guerra
da minha própria mente chacoalhada
que quis sempre ser eu mesmo

Eu me apaguei
esqueci quem eu era
por querer derrotar os inimigos
dos amigos
hoje sou forte contra todos
e fraco contra mim mesmo

Me remendo
com cola e fita
cheio de esperança
um dia hei de crescer
sorrir como eu mesmo
chorar com razão incontida

Deixar pra trás o que me dói
manter a felicidade em legado
por todos aqueles corações de mim mesmo
que hoje se preocupam
com a transparência que teima
que quer deixar de existir

Eu quero sorrir
quero gritar
deixar de me torturar
Ser feliz assim com o meu coração
e não com a minha solene razão.

Fruta mordida

Mordi uma fruta
que só tinha caroço
era o pecado
tão puro, tão cheio de mim
que o gosto não era ruim

Eu cuspi
larguei tudo
o sabor nocivo
doce deletério daquele bendito caroço

Mas passou, foi embora
é o pecado que se viu
já sem perdas, sentimentos
no encalço como sombra
pois por mais perdão que se peça
de mesmo pecado viverá amanhã

e depois... e depois... e depois...

Aquela fruta mordida
agora é o embalo da minha fé

Verdade seja dita

Sopram os ventos
verdades à tona
de uma mente que trabalha
insana, querendo muito saber
redescobrir o que se quer

Uma mentira mental
psicose tônica alvoroçada
expressa teu desapego
nega teu aconchego

de tanto pensar
tanto querer...
hoje não se tem nada, nenhum pesar
nem se sabe se quer ter

malditos amores que vêm e vão
não se vê mais
aquela dura realidade
que se fantasia de solidão
sem a mínima dignidade

Som do teu nome

Eu ouço teu nome
são 1.000 vertentes
mil vertingens
dá frio na espinha
calorosa que deu dó
mas que já não é tão virtuosa

Eu te ouvia falar
e sentia gosto
canções e paixões de uma crença
em ritmo da música pesada
muito sexo, pouca droga
e o rock n' roll foi acabando...

Aquela melodia que eu ouvia
nem sinto mais falta
um dia eu ouço teu nome
e percebo que se tornou comum

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Poeta aidético

Eu aproveitei a vida
juro
quis viver como ninguém
quis morrer como alguém

Alguém já viveu algo assim?
ninguém quer acabar assim
mas eu me orgulho
minha história é cheia

Cheia de lutas e glórias
tantas glórias e tantas Glórias
Marias, Brunas, Carmens e Vanessas
Foi um prazer sem igual esse que vivi
E foi de prazer que me arrisquei
que me matei

Se não satisfaz, ja virou terror
mas o que vivi me serve
hoje sou poeta e deixo
todo deletério que tive
repleto de amor e de dor

hoje é assim, por mais doloroso que seja
um tesão cheio de remorso
não me tira o sono
não foi por falta dele
que passei o melhor da vida
se morri ontem
foi porque aproveitei muito hoje pela manhã
bendito tesão doloroso.

breve reflexão

Eu moro numa cabeça de porco
numa miséria tremenda
e em meu único filho
a certeza de uma batalha

motivada.

Eu luto por ele
e não por mim
eu sou brasileiro
sofro por tudo
e continuo de pé.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Impátria que pariu

Dos filhos deste solo
és uma baita mãe gentil
recebe quem quer chegar
dá tudo pra quem quer levar
se abre pra quem quer se aventurar

ser brasileiro é lindo
é cômodo
só não é orgulho pra ninguém
o patriotismo não é bonito por aqui
bendito país que nos reuniu
sem ser amado

é gigante por natureza
és belo, fraco, nem um pouco impávido
és impatriótico
terra de gente desacreditada
que faz dela um algoz de tiranias

Brasil que nunca mostra a cara
só se bate
porta da frente fechada
porta dos fundos sempre aberta
pra todo tipo de repugnância
e a ridicularização dos brasileiros
orgulhosos de si, da própria moradia
sucumbem por tantos outros milhões
que nunca quiseram um bem comum

O bem de olhar para a bandeira
e dizer com máximo de respeito e honra
que ser brasileiro nunca foi brincadeira

mas os fatos acontecem
pessoas vem e vão
e o brasil continua nessa mão
gélida que só
que não para de apertar cada vez mais
seus dedos magros em cima de tudo aquilo
que sempre foi nosso
e ninguém teve coragem de gritar
PARA COM ESSA PORRA.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Samba de Roda

Para uma Maria, quase Carol
Para uma Carol, quase Maria

Chega sambando
swing que contagia, irradia
Nossa, que gingado mucho loco
e da raiz de uma cartola
musicou-se Maria
Carol de nome
samba de caráter, é caráter

anda com o ritmo do batuque
e o jeito que só ela sabe dar
ao compasso de uma amizade
diferente, confesso
mas ser eclético facilita
musicar pra Maria
é entorpecer-se de ideias
musicar pra Carol
é deixar tudo rolar, com pandeiro e violão

Meu Deus, larga esse beque!
chega pra cá
cadê teu swing?
mostra teu samba
porque de Buarque à Pagodinho
cada um tem uma Maria
pra cada qual se samba

então sambaí que eu quero ver...

Beijo pra Iaiá

Estou nervosa
acho que agora não tem jeito
os dedos de pontas geladas
jazem mergulhados no molhado das palmas
boca seca, seca
mas uma vontade tão engraçada
quanto os batimentos do coração

doido

bate com ritmo
música de pulsos nervosos

cada passo um desafio
morder os lábios
pensar no sabor
tendo a certeza que a amiga
inseparável malandra que é
é teu guia até o 3° ato

já chego estalando
sorrisos avermelhados
as palavras se misturam enquanto a amiga se vai
o nervoso fica, só nós três

os olhos se fecham; que mágica!
bem molhado, gostoso posso assim chamar

Pronto, beijei.

Agreste

É uma vida tenebrosa
paisagem de cores quentes
contraste com o verde
teimoso que só
que cresce pra cima
redundante debaixo de um céu cheio de Sol
imprevisível de águas

Casebres, casas, casarões
cercadas de areia
e a mesma certeza
da sauna particular, familiar
queimando uma rotina
do roceiro solitário

roceiro vivaz
cansado de mãos calejadas
que verde como árvore
busca um aconchego suado
nesse agreste vazio

de terra batida
maldita paisagem fervendo
que encalora a poesia
de um agreste coloridíssimo!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Poesia sem rima

Não sou poeta de versos rimados
quero que compreendam
podem ficar de olhos cansados

E ainda assim continuarão sem vê-los
peço que não se surpreendam
com mu jeito poético diferente
que por mais que fale de cabelos ou pêlos
TUDO vai acabar de forma irreverente

Essa é opinião, próprio, um eu quase lírico do poético
se à ti faz diferença, pare pra pensar
Se com músicas tu és eclético
por que minha poesia não pode ficar sem rimar?

Cada um tem seu estilo
só pra rimar, poderia até usar 'esquilo'
mas não, portanto não fique cabreiro

E não espere de mim o que não vou fazer
pois sem perceber
rimei no poema inteiro

Mas não há necessidade
quem me conhece sabe que não é novidade
então, por favor, vá se f...errar
Eu não preciso rimar.

Verdade dói

Ouça
mas ouça direito
eu não falo por meias palavras
nem quero que entenda meias verdades

Na verdade, leia
eu falo mal
a poesia explica melhor

Cansei.
Espero que tenha entendido
pois não vou repetir.

domingo, 29 de agosto de 2010

Ônibus

Bom dia pra que, motorista?
faça o teu trabalho
siga seu rumo
e ve se não demora
eu tenho pressa

Dinheiro trocado pra que, trocador?
se é ti quem troca, eu não troco nada
eu é que não pago
se troco falta pro meu galo

E o tempo passa
o trânsito é intenso
e lá está ele, insistindo
Motorista, passa por cima!

Que lerdeza essa, pago pra que?
eu que pago o salário de todos vocês
quero é chegar rápido
e não estou nem aí se seu salário é pequeno
estudasse que nem eu

O ponto é aqui, motorista!
além de lerdo é incompetente
Boa tarde pra que?
nunca se vale nem o indispensável

E lá se vai a educação
com o suado trabalhador brasileiro
que rala muito por pouco
que sofre tudo por nada

Falta mais que bom dia
para os dispensáveis mal educados
que teimam em fazer dos trabalhadores
meros escravos de papelão

Bom dia, motorista, tenha uma boa viagem.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Amor e Ódio (momento de reflexão)

O ódio existe porque o amor existe
enquanto houver amor, haverá ódio
Não é por desavenças ou vinganças
mas sim porque quando se ama
a vontade é de proteger aquilo que se ama

Essa proteção
gerada em dois meios distintos
ocasiona o conflito
Duas ambições
dois ódios com o mesmo propósito
Proteger quem se ama

Isso é fato, um protocolo óbvio
por mais que amemos
sentimos ódio por aqueles que odeiam quem amamos
a guerra surge, acontece
não é por falta de amor
tem muito amor no meio

Eu amo um jeito
você ama outro
afinal, quem está certo?
Não dá pra saber
Só o final dirá
o forte supera o fraco
e o forte supera a razão
o forte É a razão

É o amor maior
contra o ódio de outro que foi fraco
Essa é a matemática da guerra
do amor e do ódio
é algo que não se supera sozinho

Mas não deixe de amar
Controle o ódio
ame seu inimigo
Se amarmos aqueles que odeiam quem amamos
todos serão amados
no final não sobrará ódio
só o amor

E o mundo será de paz
sem conflitos e guerras
pra determinar quem ama e quem odeia
pois se todos se amarem
o ódio não terá espaço para ser sentido

E todo amor que houver no mundo
será capaz de fazer com que as pessoas
entendam umas as outras...
A palavra 'inimigo' não vai mais existir
Violências e distúrbios também não

Já se imaginou num mundo assim?
É questão de tempo
até todos perceberem que o caminho certo
é aquele que nunca se escolhe
O de resolver tudo com conversa e fé

O tempo é curto demais para uma espera longa
Tudo sucumbirá, destruir-se-á...

E aí sim
veremos que o amor era a chave
o tempo todo
para todos os problemas

Não será tarde, acredito
Basta querer e fazer da nossa vida
uma coisa bela
como sempre tinha que ser

O ódio existe porque o amor não existe
Enquanto houver amor, não haverá ódio
Não é por desavenças ou vinganças
Mas sim porque quando se ama
Quer proteger

Mas... quando se ama tudo
Tudo é protegido e amado
e assim o ódio não existirá mais
Enfim!

sábado, 21 de agosto de 2010

Solidão criativa

Quando digo que não me entendem
é porque realmente não entendem
dizer que quero ficar sozinho
parece não ser literal

E logo surjem preocupações
remorsos mil
e a solidão momentânea que queria ter
nunca consigo

Sozinho pra me libertar, pra escrever
a pena é o piano do escritor
e eu gosto da solidão
pra escrever sobre aglomeração
sobre tudo junto

Nem sempre se precisa viver
naquele momento
pra falar sobre o momento
então me deixa

Pelo menos um dia
pra que eu fique sozinho com a minha paz
e deixe a minha mente orbitar
por lugares imaginários
que só minha vontade é capaz de criar

Quero escrever, quero falar
mas com o barulho que vem de fora, de dentro, do lado
não dá

Agora sim
fechei porta, janela
E só eu posso me incomodar
assim é mole se expressar.

Urnificando

É o herói da miséria pedindo seu voto
A bola da vez é você
de frente pro gol
Palhaço sem circo

Começou a piada
urnas pra que te quero
E ela acaba com você rindo de tudo
da vida, da sua nação, de você

Mas que porra de país é esse, meu irmão?
miséria ignorância, blasfêmia
Tão armando o circo de novo
O palhaço é você

Êta piada sem graça!
sem cor, sem gosto, sem originalidade
já ouvi isso outras vezes
de outro palhaço

E a corrupção foi desgraçada...

Pobre de mim
de nós
que somos a piada do começo ao fim
É ano de eleição, companheiro
E querem transformar o nosso Brasil todo num puteiro
que já abria as pernas antes da sacanagem existir

Antes era só nada, sem mim, sem você
Agora tudo é nada, com todos nós no meio
Bom pra ninguém
Cômodo pra alguém

Votem.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Formigas pobres

Saía cedo de casa
tão cedo que o céu ainda era preto
bem preto
saía com fome, com sono, com frio
sem vontade

A única força era a mulher
e o pobre recém nascido
tão pobre quanto pobre
e o pai, mais pobre ainda
pobre de tudo, pobre de espírito
saía obrigado

Chegava na hora, humilde
primeiro que todos, até do patrão
sabe como é, essa regalia sem perdão
lutava com unhas e dentes
poucas, entrelinhas
ja não tinha mais dentes
e as unhas eram sujas e pequenas
mas era valente

Pensava no futuro
sertão de uma casa só
filhos gordos
a mulher sem cortes
e só ele de mãos calejadas

Mas sozinho não podia
precisava de ajuda
mas quem? pobre não se ajuda
igreja é incentivo
e pessoa nenhuma dá força
maldito governo
provavelmente pobre também
pobre de coração

Recorre a tudo, luta por pouco
em meio aos milhares
desesperados em comum
Me lembram formigas
Socialistas fervorosas
trabalham por nada
Ganham muito

E como no mundo das formigas
Lá se vai mais um operário
Pobre e ferrado
que um dia acaba sendo pisado
por alguém maior que não liga pra nada
rico de tudo, pobre de respeito.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Reconhecimento

Ganhar elogios
é ter o trabalho reconhecido
sentir que o que voce faz agrada
até de quem não se espera
pois é de quem nada se aguarda
as surpresas que mais satisfazem

e o nirvana de fazer
é a recompensa, a valorização
o obrigado, o fantástico
não é mero querer
é criar, sabendo que admirar-se-ão

serve de fonte de inspiração
força pra seguir com o trabalho
um dia eu fiz por fazer
hoje faço porque sei que elogios virão
isso é bom, confesso
me sinto o melhor

Que posso dizer? Obrigado.

Lista de mercado

1 saco de pão
1 requeijão
1kg arroz
500g carne
1kg feijão
1kg macarrão
12 ovos
tomate
cebola
batata
100kg ética, respeito, coragem

geralmente é o que sempre falta na mesa do povo...

Moça do ônibus

Ela estava sentada
No banco do ônibus
dormindo, morena linda

eu quis tirar-lhe o cabelo dos olhos
passar o dorso da mão no seu rosto
e quando dei por mim
estava acordada, olhando

cara engraçada que eu devo ter feito
sem jeito, risonho, excitado...
e como nada, tudo é
sorri e virei, como de praxe
mais que amante, sou educado

mas toda vez que pegava no sono
la ia eu me pegar olhando pra ela
em toda curva, dela e da rua
balançava o momento
swing de olhar pra ela
dormindo, morena linda.

sábado, 14 de agosto de 2010

Pessoas

Aos amigos da UNIRIO.

Que lugar estranho é esse que me meti
Pessoas eufóricas, doidas
Com seus copos e suas sêdas
É um jeito bom de mostrar
Que a alegria por lá é solta

E por mais que eu houvesse lutado
Contra o vento e eu mesmo
Percebi que a vida perto da praia
E naquele bendito bar de curva
Pode ser tão prazerosa
Que nem mesmo um chute na bunda pode ser ruim
Não que o chute seja bom
Mas há quem diga que é
E isso, só quem vive essa mistura exótica de senseções
Sabe como funciona

O que antes queria distante
Agora quero todos os dias
E o tempo passa curto, calmo
Mas sempre com os sorrisos
Daqueles que não tem medo de esconder
Que tudo se pode nessa vida doida que se leva

São loucos, endiabrados, cachaceiros
E agora sou também, somos juntos
São legais, autênticos e amigos
Já fazem parte de hoje e talvez amanhã
Era um lugar inexplorado
Que agora posso chamar de casa
E muita bola ainda vai rolar, suponho
De copo e beque na mão
Das pessoas que agora são minha inspiração

Sem dúvida não podia ser melhor.

Vida que segue

É sempre assim
Eu quis
Mas por um tanto assim não consegui
Eu perdi
Mas tenho certeza que foi melhor
Experiência conquistada
Que só quem vive, sabe como se ganha
E eu, incapacitado de contar
Falo por palavras escritas
A poesia fala por si só
Eu cansei
E quero mais é deixar que tudo corra
Como tem que correr
Eu mereço
E sei que posso muito mais
Se a vida me der uma chance pra tentar
Mostrar que tudo pode ser belo
Quando se trata de pulsações nervosas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Eu faço o impossível

Eu gosto é do impossível
Comer sopa com garfo
Lamber o cotovelo
Ficar pelado em Moscou
Quero mesmo é o que mais parece distante
Conquistar aquela menina
E fazer com que tudo que é impossível
Se torne humanamente fácil

Quanto mais perto melhor
Só não posso exagerar
Mulher não quer sempre perto
Tem que mostrar superioridade
Pra perceber que você é diferente
De todos aqueles que a ela rodeiam

Eu fico de longe, esperando minha vez
Mas sempre perto, vendo o que se passa
E por você, menina linda
Eu corro pelado em Moscou
Lambendo o cotovelo
Depois de ter tomado a sopa
De garfo e faca mesmo, eu estava com pressa.

Música dos corpos femininos

Meu negócio é morena
Aquelas dos cabelos pretos,
Brancas de lua nova
O corpo tão violão como a minha música
Que já é letrada por elas, admito

Mas algo me surpreende
São as louras
Chamam mais atenção que qualquer uma
Se tem algo mais atencioso que uma loura
Com certeza são duas louras
A loura me atrai, de certo modo
Sempre as acho belas
E a música do corpo delas é bem atrativa
Quando se canta suave, devagar

E tenho que confessar
Tem ruiva que mexe de verdade
Tão exóticas são que muita loura e morena
Ruiva querem virar
Pra ser diferente, levantar hipóteses
E a ruiva seduz, do jeito que sabe
Fazem suspirar e o corpo cheio de acordes
Mexe com o meu teso jovial

Agora já nem sei mais
Morena, loura ou ruiva
Acho que todas
Homem quer de tudo mesmo
Se chegar perto e gostar, tanto faz
O importante é ser eclético.

Sensação de gostar

Sensação engraçada essa que bate
Quando se atrai por alguém
A vontade de encontrar seus olhos
No meio da conversa
Brincar com as palavras e rir
Ah, é doce gostar!

Foi rápido, confesso
Mas é sempre assim que acontece
Adversidades mil geram os acontecimentos
E gostar dela é um 'mas', com certeza
Ela é linda de um jeito peculiar
Nem todos a acham assim
Mas por que eu tenho de achar?

Sou assim, diferente de todos
E gosto dela, do jeito que é
O problema é a demora
E o vento fraco que leva minha barca
Que vai fazendo de um jeito que
Ao que me parece vai levar ela de mim
Rapidinho, rapidinho
Como muitas outras que eu me apaixonei.

Sonhos e pesadelos

Mas será possível?
O sonho que antes fazia parte
Só do pensamento
Agora já é tão real que
A dor de vivê-lo é nítida

Quero ter os pés no chão
Saber que um dia é normal
Mas descobrir antes desse dia
Certamente é algo fora do comum
Um tanto quanto surreal

Isso é magia negra?
Ou só espiritismo mundano?
Não sei bem, mas o futuro gira
Dentro da minha cabeça
De tal forma que não faço ideia
Se estou acordado ou em sono

O grande fruto proibido desses sonhos
É o pesadelo real que eles revelam
E uma amarga dor de esperar
O que acontecerá pós

É um dom interessante
Viver em mim antes de acontecer
Ruim mesmo é viver
Só os pesadelos de quem nem conheço
E perceber que vai acabar cedo ou tarde
O acontecer de alguém.

sábado, 31 de julho de 2010

Poetize-se

O sentimento maior só se revela
Quando a gente põe pra fora
No meu caso, são histórias
Cronicando o cotidiano
Versificando, às vezes

E a poesia nele é algo fundido
Faz parte, sai como saliva
Quando se menos espera
Aparecem estrofes e estrofes
De conteúdo, não são só palavras

Palavras de efeito, cheias de dor
Amor e humor, mais dor que humor
É um jeito engraçado
Ver a vida com mais dramaturgia
Ainda assim é poesia

Se há ti falta criatividade
Cabeça adolsecente tem de sobra
Musicalidade refinada
Nas palavras do autor
Que como muitos loucos custa ser entendido

Mas eu entendo, juro que entendo
Por mais poético doido que seja
Sua poesia fala por si só
Não como escrita, mas como amizade solta
Sem caneta, nem papel
Mas escrita, sim, escrita muito
Na vida, no traçado de caminhos

Está aí a razão
A poética da amizade.

Ao meu amigo, Tony Espósito.

Beleza escondida

A minha poesia não precisa ser perfeita
Não precisa rimar, nem falar de amor
Eu falo do que me der vontade, sem espreita
Rimou por acaso, por forças maiores

Mas por mais feia que seja
A poesia tem o seu pingo de verdade
Fala da vida, do sentimento
Mostra à que veio
Não exatamente, de um jeito devagar
Que te faz pensar

Te envolve, com palavras emolduradas
Delicadezas, você sabe
E por mais feia que seja
A poesia vira artefato

É obra perfeitamente acabada
Mostra um arranjo promissor
E o que era feio já não é mais
A poesia agora é linda!

Curem o mundo

Pare e olhe ao seu redor
A vida é mesmo como devia ser?
Renovando, recomeçando...
Ainda dá tempo de tentar mudar

Pelo amor de Deus, curem esse mundo!
Podem me dizer o que houve aqui?
Pessoas perdendo o dom de rir
Nada é como antes
O amor está à venda
Mentira é fato
Verdade se comenta

Algum dia você pensou
Olhar a janela e ver o mundo assim?
Beleza de amores, pureza de flores
Nada disso importa, tudo tem fim, irmandade
É assim que as pessoas pensam

O resto você já sabe... BANG! BANG! BOOM!

Presente pra Roza

Ainda que eu quisesse te dizer
Não ia ter nem como explicar
Tudo que eu não seria sem você
A dor que tua saudade vai deixar

Depois de muito tempo posso ver
Ausências são a força pra lutar
Contigo do meu lado pra me defender
Nada vai mudar

Por tudo que você me fez sorrir
E eu nunca fiz questão de escutar
Um dia a recompensa há de vir
Um presente pra Roza no amanhã

Pelos muitos segredos que escondi
Pela flora de risos a brotar
Com carinho eu canto pra ouvir
E isso é pra nunca duvidar

Te amo, Roza
Roza meiga e charmosa
Te amo, Roza!

Você é quase meu bem

Tudo que eu queria mesmo era
Encostar-me ao céu pra ver o mar
O que eu queria era poder dizer que te amo
Mas eu não sei quem tu és

Tudo que a vida pode dar
É o proveito que se tira de viver
Esse pra sempre não existe
É fato enrolado e eu te pago pra ver

Mas se isso pode ser assim
Não existe aquela história de não ser
Deixe o coração levar-te ao vento
E encare de vez

Pare de ligar choroso e me diga
Que o teu amor é aquilo que é
Verdade é o que se espera
Dessa maldita tentação do prazer

E agora que acordo dessa rotina
Aguardo a mais bela e doce mulher
Que o 'te amo' seja fato marcado no peito
O que era pra ser

E que não me faltem juras de amor
Só pra ti, meu bem, que sabe quem é
O meu coração colado ao teu
De um jeito ou de dois...

Sombra

Sorrateiro no descompasso
Na parede
No chão

Sempre grudada como quem quer um abraço
Um braço
A vontade contínua que nunca aparece
O preto em único ponto no clarão

Não se cheira
Não se toca
Só se vê
E a visão só vê aquelha silhueta
Que repete os passos de quem a controla, em vão

Sinta-se

Feche as portas e as janelas
Sinta seu vazio
Escute as vozes
O vento
O gotejar da chuva

Ainda que sozinho
Em companhia indiscreta do seu eu
Te faz pensar naquilo que lhe cabe
Naquilo que te dá vontade

Percebe? Solidão vem e vai
Amigos
Intelectualidade
Matéria
E tudo se vai, às vezes sem vir
Mas você... Ora, fique
Seu coração bate... E sente
Sinta-se à vontade

Banco de Praça

No banco da praça não tem frescura
Senta branco, negro, pobre, rico, casal, solteiro
Deita viúvo, bêbado e mendigo
Banco de praça é o pedestal cotidiano

Banquinho cheio de ódios, amores, histórias e músicas
Violeiros de plantão, Ah, musicalidade!
Velhos quietos que pra pombo dão milho
Velhos gaiatos que pra rabo de saia dão olho

Do banco se vê tudo, se vê todos
Passam diferentes, iguais, vagabundos
Tudo pode acontecer perto de quem recosta
Debaixo da árvore, no canto do jardim
É espaço pra tudo, feito pra sentar, pra quem não quer nada

De fato, tudo se passa
No bendito banco de praça

As últimas cartadas

E agora jogador?

Todos prontos pra bater
Última rodada
Dê a sua cartada
Ou você perderá

Não exite
Apenas jogue
Os números estão ao seu favor

Pense em tudo que pensam
As jogadas que fariam
Sinta-se as cartas
Sinta-se o adversário
O oposto da mesa sobre você
Última chance de cartear a sorte

Dá tempo, compra mais uma
E trame uma nova estratégia

Único problema é acertar,
Mas jogar é preciso, está ficando tarde...

Já quando não perceber
Ou nem tiver mais vontade
Gire sua cadeira e saia
O jogo simplesmente acabou.