quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Os livros

Para Amanda Cruz, que mora muito longe rs.

Já li um pouco de tudo
de tudo tive muito
e dos livros tirei minha personalidade
serena como páginas alinhadas
cheias de vida
imaginação que pula pra fora
a cada página virada

e aquela menina
me pareceu um romance
cheia de suspense, surpresas
e tomara eu que de tantos romances que li
o nosso final seja feliz

porque dos livros tirei muita coisa
o vocabulário nem faz diferença
quando a imaginação simula uma segunda vida
que teimo em chamar de meu mundo

meu mundo é seu?
pois já simulei muitas vidas
e agora quero que
fiquemos assim, como um livro fechado
cheio de mistérios
mas sempre cheio de história pra contar

pra que um dia, quando seja reaberto
possamos ler e lembrar de tudo que passou
e ver que tudo continua a mesma coisa
desde o começo improvável
até o amor impossível

e aquele final consagrado que todos conhecem...

No esquecimento

Quando olhei para o chão
e vi aquela quantidade imensa de cacos
garfos e facas, pensei
que briga feia tivemos!

hoje já sinto como se não tivesse sido nada demais
a vida segue tranquila
aquele tufão de sentimentos
está pra lá de longe
e eu nem sei mais em que canto se enfiou

só sei que não penso neles
não penso em nada
só quero meu lugar ao sol
meu cantinho longe de ti

estranha essa chuva, não?
só pode ser milagre...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Felicidade!

de pernas pro alto
e braços descruzados
este sou eu
que acordou feliz
mostrando os dentes
pra uma avenida de gente

de repente eu notei
que a tristeza nem é tão ruim
me serviu pra perceber
que ela não vale nada
pra alguma coisa ela serviu, afinal

agora sou outro
tristezas vão ficando pra trás
e sobra eu e minha alegria
radiante que só
emanando do corpo
junto com meus sorrisos
branquinhos, branquinhos

foi esse meu dia
mandando flores à guerrilheiros
gritando bom dia pra padeiros
sem vergonha de pensar
que tudo vai ficando no passado
e eu, relapso, finjo que esqueço
está lá, mas quem precisa lembrar?
lembro do que é bom, do que dá saudade
tristeza? longe de mim

quero um amor pra vida toda
um cantinho pra minha viola tocar
pra minha música harmonizar
com a poesia da minha conciência
limpa como o céu
inquieta como o mar.

Vida de papel

Um dia eu quis ser alguém
não alguém comum
mas um alguém de múltiplas facetas
capaz de lidar com todas as situações
todas as pessoas
todos os sentimentos

queria me mascarar
e fingir gostar de tudo
pra ser aceito
pela plateia popular

nada adiantou
não era quem queria ser
era tudo que outros queriam
e o que eu queria?
eu queria ser alguém
não alguém comum
mas um alguém que gostasse mais de si próprio

um dia, porém
dei conta de tudo
aprendi a ser eu
tirei a máscara pra falar da vida
não busquei prazer em anonimato

e se hoje sou feliz
foi porque ontem fui eu
e somente eu
pra conquistar toda fama e toda glória
de ter amigos que sabem o que eu realmente quero

seja você
não importa o que queiras ganhar
levar títulos pelo que nunca foi
não o torna único
só popular

não tente conquistar amores e amizades
fazendo papéis que não lhe cabem
amizades e amores verdadeiros
sempre se fizeram longe da fantasia

mascarados aqueles que só tem amigos surdos-mudos

quando a popularidade acaba
percebe que tudo foi gozo do presente
e que nada mais lhe será importante
por nunca ter sido o que quis ser
vale a pena ouvir os outros?



não.