segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Jantar

Bota um prato a menos na mesa
que hoje eu vou jantar fora
se me quisesse tanto
eu veria pelo teu pranto

tua saudade transbordaria pelos olhos
não sobraria maldade para todos os imbróglios
que persistiram
me fizeram ver que estar presente
não me faria onipotente

não me espere nem pra sobremesa
vou passar da hora
talvez nem chegue a voltar
e que diferença faz?
pouquíssimos conseguiram
perceber e comentar
que o combate de talheres entre nós
ocorreu a meses atrás

fui eu quem juntei os cacos
dos copos da nossa última conversa
teus olhos, naquela vez, tão brilhantes
agora são opacos
cinzas e entediantes

não me dá prazer nenhum
jantar com você nesta madrugada
por favor, não me faça ficar
não vou juntar cacos de pratos
toda vez que ficares com papos baratos
sobre irrelevâncias de qualquer um
muito menos querer café numa cama remendada
pra aparentar que nunca quis ser perversa
...

sábado, 27 de novembro de 2010

Luto por todos

E eu que nunca fui tão vidrado
que quis sempre conselhos dar
promover ideias
variar entre poeta e porta voz

me mantenho, hoje, concentrado
somente contra meu algoz
que apanhou da própria ideologia
como se fossem me matar

ideologia de querer plateia
de ajudar o mundo
usar psicologia
pra salvar um bando de vagabundo

hoje continuo eu
ajudando a todos
aconselhando inimigos
tratando como bobos
aqueles que um dia disseram que eram meus amigos

já vi que não
então
além de querer bem tudo que é teu
também luto agora por tudo que é meu

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Como é complicado amar diferente

é complicado
amar demais alguém
e não saber exatamente como demonstrar
já me disse Shakespeare
que amar diferente
também é amar

mas como provar?
como mostrar
que aquilo que sinto
é um amor tão forte quanto o dela?
que me dá carinho
me deu tudo que eu sempre quis
e precisei
que me faz tentar todos os dias
ser o melhor que eu posso ser

meu amor é diferente
de tudo que alguém ja possa ter visto
mas ele está ali, de um jeito ou de outro
e não diminui nem por um segundo

se um dia mudares para o céu
continuará sempre no meu coração
te amo talvez sem motivo aparente
mas com todos eles presentes
todos os motivos existem
mas nenhum deles se evidencia
e por mais complicado que seja pra mim
sempre vou tentar mostrar
o quanto eu amo você, mamãe.

Viver sem amar?

Que ser humano é capaz, pergunto
viver sem amar?
um dia já me disseram
que viver era algo fácil
quando não se tem ninguém

viver sozinho é fácil, claro
até conhecer o amor
até saber que sua vida sem ninguém
é metade de uma
sem aquele que te mata de apaixonites

tantos já poetizaram a matemática do amor
2-1=0
e depois de viver tantos imbróglios
tantos amores repentinos
prazeres casuais
fez-se amor no teu coração
e não é mais possível viver sem

amar continua sendo engraçado pra mim
porque sempre que tento ficar sozinho
me apaixono até por nuvens
e não mais delas quero sair

será mesmo que é fácil
viver sem amar?
duvido muito
sempre amei alguma coisa
e minha vida não se faz sozinha
sem ter ninguém pra me acompanhar
ô coração doente, meu Deus.

Outros hábitos

Senti que era hora de mudar
é o prazer que vai embora
que me fez ter vontade
de buscar diferenças

rearrumei a casa
troquei os móveis de lugar
por mais mudado que o ambiente esteja
a sala continua sala
a cozinha, cozinha
e meu quarto o mesmo templo
de toda minha emoção
meu sentimento começa aqui
e termina longe, dentro da minha cabeça

agora eu quero ser mais que eu
sinto-me contente comigo mesmo
a perfeição da vida
me fez imperfeito
por meio de meus traços
meus passos azarados
mas mudando de hábitos
me mantenho vivendo

e o que eu quero mesmo é voltar
saber que o passado
por mais doído que foi
é minha história
e se um dia esquecer aquilo que fui
já não sirvo pra nada
esqueço o que sou
por não ter mais experiências

chegada a hora da mudança
me refaço
penso mais, falo menos
mas de poucas palavras serei
enquanto me faltarem argumentos
contra aqueles que teimam
teimam em que?
não sabem de nada
são todos clichês
clichês de uma vida inteira
que se passa igual a de todos ao redor

mudar pra melhor
pra ser diferente
se sou normal não tem graça
se sou comum sou apenas mais um
quero ser único
não quero sofrer
nem ficar triste
o que faço agora é pra sempre
parte da minha mente
muito mais sã do que era

a tranquilidade me deixa levar
a lugares que nunca visitei
dentro de mim, confesso, não conheço nada
mas me sentindo um buda de jardim
meu corpo me obedece

então não me venha mais com histórias
como se soubesse o que eu passei
mudei a rotina
prazeres são os mesmos
e não preciso de mais nada
pra que eu seja anormalmente feliz.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A sutil diferença entre um torcedor qualquer e um apaixonado

Meu time é um perdedor
seria um lunático se dissesse que
ainda torço com orgulho
tenho a absoluta certeza que
não é à tôa
Sinto no meu coração vibrante que
meu time é fraco
não vou gritar que
somos verdadeiros campeões
à cada dia que passa, eu vejo que
vou te abandonar
E jamais falarei
Eu te amo, Flamengo!

ps: leia de trás pra frente.

Solidão à dois

Ah! que faríamos nós dois?
sem perceber que já foi
eu o via caminhar
junto aos braços tão seus

Aquele que beijava teus lábios
antes de mim
tristeza de um arlequim
e eu quis me pendurar
saber chegar
passarelar com suas vaidades
sua verdade de menina moça
quis bravejar

levar-te-ei comigo
pro paraíso de conversas ferozes
e beijos bonitos
beijos roubados, incontidos
fazer de você, minha

Bailar nos teus encalços
perder-me em seus passos
e ver que nosso amor não morreu

Ah! se eu pudesse dizer
virar anjo pra quê?
eu quis fantasiar
os nossos segredos

E agora que sambo nessa rotina
de rodas apertadas
de gente que um dia era amiga
e hoje nem vilã é

Sumiu, vagou, largou a esperança
E o que será de nós?
que agora sambamos sós
Com vontade de parar sem querer

Dá a mão pra cá, a cintura lá
vamos deixar levar
a vida é quem faz o teatro
mas é a gente quem encena

Chaplin foi grande sem dizer nada
deixemos de ser pequenos com essa conversa fiada
fazer futuro sem tempestade
tenta crer nessa realidade

Mas se um dia reclamarem
de tudo que a gente viveu
mande pra'quele lugar
vão ver que nosso amor não morreu

Deu um descanso
mas não morreu...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Eu e o Mar


Já paraste pra ouvir o que o Mar tem a dizer?
foram muitas conversas
já ri, chorei, gritei e cantei para o mar
e ele, imponente, só me orientava
batendo suas palmas molhadas contra a areia

tamanho era meu fascínio
que nunca lhe faltou respeito
ao cansar de falar
só ficava olhando sua graça

seus movimentos faziam danças
não parava de brincar
apagando tudo que eu escrevia na areia

tentava chutá-lo
mas ele recuava
ria, derrubava-me

mas me olhava com muito respeito também
eu nunca o prejudicara
nem tacara coisas em suas costas
o mar e eu gostávamos de ser um só

do azul ao roxo
o céu ia escurecendo
e eu me despedia do mar
que a tarde toda me fez companhia

'amanhã eu volto', pensava
queria ver sua beleza
saber dos seus segredos
que um dia foram tenebrosos

como pode, meu mar
ser tão temido assim
me respondia discreto
indo e voltando

eterno era o lutador
que passava o dia todo se mexendo
pedindo companhia
eu era um homem livre
uma eterna companhia fulgente

como num belo cristal
me pegava pensando
no quão grande podia ser
meu oceano, seu coração.

O valor que eu não dei

Se tudo mais passou
ficou pra trás em tom de despedida
por que minha mente
tão deprimida
teima em culpar-se

esses passados inglórios
que afligem minhas noites
vozes desorientadas
que só sabem me falar de maldades

abre-me teus caminhos
eu quero passar sem me preocupar
me despedir dessa lágrima
que escorre sozinha
involuntária

oh! maldito valor que faltou
cicatriz que não fecha
espinho que não sai
dizer-te-ei que amei
que sofro
mas que quero sua felicidade

me falta até hoje a companhia
a graça de estar perto
do orgulho e da humildade
caráter indócil de um coração
mas deixa-me, vença aí em cima

um dia eu quero voltar
saber o que aconteceu aqui
aprender o dom de rir
de uma coisa que já se foi
e me mata de saudade
a cada dia, sem penar

eu transformo minhas dores
em lindas flores
me imagino rodeado de anjos
a minha vida não quer ser sinal de perigo
pra'queles que querem partir

se queres me deixar, que vá
a paisagem desabrochou em nuvens brancas
e o que eu quero mesmo
é PAZ.